domingo, 15 de outubro de 2017

RESENHA: As Brigadas Fantasma

Guerra do Velho foi um dos livros de ficção-científica mais empolgantes que já li, tanto em virtude do riquíssimo universo criado por Scalzi, quanto pela ação de tirar o fôlego. Assim, mal podia esperar para conferir As Brigadas Fantasma, o segundo volume da saga. 

No primeiro livro, conhecemos John Perry, um homem recentemente recrutado que é introduzido ao mundo em que a humanidade está colonizando o universo e luta contra diversas raças alienígenas para manter seu domínio. Em As Brigadas Fantasma, Scalzi nos leva para o centro da tropa de elite das Forças Coloniais de Defesa, onde conhecemos de perto os supersoldados: criados em laboratórios em questão de semanas, eles nascem com o propósito de defender a humanidade. E quando se descobre o conluio de três raças alienígenas para extinguir a raça humana, caberá As Brigadas Fantasma impedir o início da guerra. 

Preciso admitir que o início da leitura de As Brigadas Fantasma me pareceu bastante estranho. Isso por que há duas diferenças cruciais em comparação com o livro anterior: 1) a narrativa mudou de primeira para terceira pessoa; 2) John Perry não é mais o protagonista. Mas apesar desse estranhamento inicial, logo me acostumei à narrativa e à ausência de John. 

Apesar de vermos vários personagens que também participaram de Guerra do Velho, principalmente a tenente Jane Sagan que assume a função de liderança, a meu ver o verdadeiro protagonista de As Brigadas Fantasma é Jerad Dirac. Isso por que acompanhamos em grande parte a jornada do soldado: seu nascimento e treinamento, suas primeiras missões e o papel que desenvolve nos planos para impedir a guerra. 

Outro diferencial de As Brigadas Fantasma é que Scalzi aprofunda significativamente suas explicações a respeito do universo da saga. Mas o que mais se destaca são as reflexões trazidas à tona por causa dos soldados das Brigadas Fantasma: o autor discute temas como identidade, moral, liberdade, violência, humanidade, entre tantos outros. 

“— Não. Toda criatura tem instinto de sobrevivência. Parece medo, mas não é a mesma coisa. Medo não é o desejo de evitar a morte ou a dor. O medo se baseia na noção de que o que reconhecemos como nós mesmos possa deixar de existir. Medo é existencial.” (SCALZI, 2017, p. 311).

Outro aspecto positivo é que o autor criou personagens profundos e multifacetados, que vão muito além de simples papéis como heróis ou vilões. Assim, o segundo volume conta com um desenvolvimento psicológico muito mais acentuado em relação ao primeiro. 

A conspiração construída ao longo da estória é muito bem planejada e desenvolvida. A habilidade de Scalzi em entregar informações que passam despercebidas pelo leitor é impressionante. Assim, quando vemos as peças se encaixarem, nos damos conta das pistas deixadas pelo caminho. 

Como era de se esperar, o texto de Scalzi é fluído, dinâmico e extremamente envolvente. As cenas de ação também são muito bem construídas, deixando o leitor sem fôlego. O desfecho amarra as pontas da trama com perfeição, além de deixar mais ganchos para os próximos livros da série. 

Felizmente, As Brigadas Fantasma não sofreu da maldição do segundo livro. Scalzi manteve a qualidade e, em certo aspectos, conseguiu mostrar um amadurecimento de suas competências como escritor. Mais uma vez, Scalzi mostra o potencial da saga e deixa os leitores na expectativa pelos próximos livros.

Título: As Brigadas Fantasma
Autor: John Scalzi
N.º de páginas: 375
Editora: Aleph
Exemplar cedido pela editora

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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

13 companhias caveirosas para a sua sexta-feira 13

Conversa de Contracapa é coluna off topic do blog Além da Contracapa. Sem limitação temática, iremos explorar todo e qualquer assunto relacionado ao mundo da literatura. 

Quem gosta de suspense sabe o valor de uma sexta-feira 13. Quando a data chega, é impossível não ficar com vontade de conferir um filme de terror ou ler um livro que o fará querer dormir com as luzes acesas.

A convite da Editora Darkside, preparamos um post para celebrar a data e sugerir para vocês 13 companhias para uma sexta-feira 13 bem caveirosa. 

1. Norman Bates - Psicose

Norman Bates é o tímido gerente do Motel Bates, um estabelecimento à beira de estrada. Mas caso você cogite se hospedar lá nesta sexta-feira 13, saiba que os Bates guardam alguns esqueletos no armário.


2. A Família Lutz - Amtyville

George e Kathleen Lutz são um tipo azarado para você convidar para a sua casa, já que eles não tiveram experiências muito boas com o que parecia a casa dos sonhos de qualquer família e fugiram 28 dias depois da mudança. Mas quem pode culpá-los? Caso você queira ouvir algumas histórias realmente assustadoras nessa sexta-feira 13, acenda uma fogueira e chame os Lutz para sentar com você.

3. Victor Frankenstein - Frankenstein

Todo mundo já ouviu falar do "Monstro" de Frankenstein, mas você já conheceu Victor Frankenstein? Ele é um jovem talentoso, cheio de ambição e obcecado por descobrir a centelha da vida. E quando a descobre, ele não percebe que a criatura que trouxe a existência é essencialmente humana, apesar da aparência grotesca. Essa sexta-feira 13 também pode ser uma oportunidade para você descobrir quem é o verdadeiro monstro desta clássica estória: a criatura ou o criador?

4. Rhoda Penmark - Menina Má

Rhoda Penmark parece uma adorável menina de oito anos, mas apenas parece. Por trás do rosto angelical se esconde uma mente fria e manipuladora, capaz de atos perversos. Se você quiser ficar de babá de Rhoda nesta sexta-feira 13, é bom ficar atento.

5. Dr. Vincent Di Maio - O Segredo dos Corpos

Se você prefere o terror do mundo real, sugerimos que você aproveite a sexta-feira 13 para fazer uma visita ao necrotério. Seu guia será o Dr. Vincent Di Maio, um conceituado médico legista que irá lhe mostrar de perto como acontece uma necropsia e qual a sua importância para a investigação e o julgamento.

6. "Ogro" - Diário de uma Escrava

"Ogro" é o pior tipo de monstro com o qual você pode se deparar. Um pedófilo. Um homem que caça meninas e as mantém em cativeiro como escravas sexuais. Se você for dar um passeio nesta sexta-feira 13, fique atento a tipos suspeitos.


7. Verônica - Bom dia, Verônica

Você pode aproveitar a sexta-feira 13 para acompanhar a policial Verônica Torres pelas ruas de São Paulo. Mas não se engane: os crimes que ela investiga são brutais e mostram o que há de pior na humanidade. Se você acha que aguenta, esteja preparado para testemunhar torturas, violência e diversas formas de abuso.

8. Bryan Clauser - Noturno

Sexta-feira 13 não é um bom dia para descobrir que existe um culto em São Francisco. Muito menos que suas vítimas são barbaramente assassinadas. Mas se você não tem medo do que se esconde nas sombras, talvez queira acompanhar o detetive Bryan Clauser nesta aventura sobrenatural.

9. Corvo - conto O Corvo

Poderia haver algo mais sinistro que um corvo do lado de fora da sua janela no meio da noite enquanto você lamenta a perda da sua amada? Caso você decida ficar em casa nesta sexta-feira 13, é melhor fechar bem as portas e as janelas para não atrair companhias indesejadas.

10. Louis Cypher - Coração Satânico

Louis Cypher é um tipo misterioso. Ele quer que o detetive Harry Angel localize o famoso cantor Jhonny Favorite, desaparecido há anos. Mas quais os verdadeiros motivos que movem Cypher? Se você estiver pensando em aceitar um servicinho extra nesta sexta-feira 13, pense bem antes de assinar o contrato.

11. Arcebispo da Cantuária - Abominação

O arcebispo da Cantuária descobriu feitiços que poderiam impedir a invasão dos vikings. Os velhos pergaminhos detalham uma poderosa magia que seria capaz de criar um exército invencível. Mas há um preço a ser pago. E garanto que você não quer ficar no caminho do arcebispo para descobrir que preço é esse, especialmente numa sexta-feira 13.

12. Frank Cauldhame - Fábrica de Vespas

Um menino de 16 anos que já matou três pessoas (incluindo seu irmão mais novo e sua prima) e que gosta de fazer pequenos experimentos violentos com animais e registrá-los em um diário, a fim de aplacar o tédio do seu dia a dia em vilarejo afastado em uma ilha escocesa. Se você não tiver medo de brincar com fogo, um passeio com Frank é uma boa pedida para a sua sexta-feira 13.

13. Stephen King 

Para encerrar, quem poderia ser uma companhia mais caveirosa que o homem que criou mundos, medos e monstros e nos mostrou que os piores costumam viver dentro de nós? Uma receita infalível para a sua sexta-feira 13, sem dúvida, é a companhia do mestre Stephen King.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

RESENHA: Entre quatro paredes

Entre quatro paredes / B.A. Paris
Um casal aparentemente perfeito, cuja vida privada esconde muitos segredos. A premissa não é inédita, mas foi justamente por já haver funcionado antes que instigou a amante de thrillers psicológicos que existe em mim a ler "Entre Quatro Paredes". 

Grace sempre fez suas escolhas levando em consideração Millie, sua irmã com Síndrome de Down. Se o emprego não lhe permitia pagar uma boa escola para a irmã, então ela encontrava outro emprego. Se os namorados não a aceitavam, então o namoro terminava. Até que ela conheceu Jack, um advogado especializado em defender mulheres vítimas de violência doméstica. Jack é perfeito. Carinhoso, bonito, inteligente, rico, trata Millie com carinho e está disposto a recebê-la para morar com eles. Por isso, quando aos três meses de namoro Jack pede Grace em casamento, ela se considera a mulher mais feliz do mundo em poder aceitar. Mas as coisas mudam após o casamento e já não existe mais Grace sem Jack, pois ele passa a controlar todos os movimentos da esposa.

A história é narrada por Grace e dividida em dois momentos temporais: o passado, quando conheceu e casou com Jack, e o presente, pouco mais de um ano após o casamento.

Nas primeiras páginas o casal está diante de amigos em um jantar no qual são anfitriões. Ali já podemos perceber que há algo muito errado entre Grace e Jack. Para os amigos, eles são o casal perfeito. Mas vemos que Grace tem um medo mortal do marido. Cada palavra que ela diz, cada movimento que faz leva em consideração as consequências. Que preço ela irá pagar pelo que fizer? Que preço Millie irá pagar? Isso é o que faz "Entre Quatro Paredes" funcionar. O medo que Grace tem de Jack é genuíno e isso cativa o leitor a querer acompanhar o seu relato, querer entender como eles vivem e porque vivem assim.

“A escuridão total do ambiente, sem nenhum sinal de luz vindo das janelas, assim como o silencio – pois a casa estava assustadoramente quieta – me deixaram subitamente aterrorizada. Saber que Jack poderia estar em qualquer lugar, esgueirando-se escada abaixo atrás de mim, a poucos metros de distancia, fez meu coração bater acelerado.” (PARIS, 2017, p.143)

Os problemas começam justamente quando passamos a entender isso tudo. Jack mantém Grace prisioneira e simplesmente não há escapatória para ela porque ele pensou em todos os detalhes. O difícil de engolir é como foi tudo tão fácil para ele. Como ela concorda facilmente com decisões que darão a ele total controle sobre ela ou como cai com a inocência de uma criança em cada armadilha que ele prepara. Acima de tudo, é muito difícil de engolir que os amigos não vejam que há algo muito errado nesse casamento, porque não se trata das aparências do casal diante das pessoas e sim de uma mulher cuja rotina que não faz o menor sentido.

É um conjunto de fatores que, isolados, são pouco prováveis, mas até seriam aceitáveis para a trama. Ok, ela poderia ter largado o emprego e por isso não ter dinheiro ou compromissos aos quais ele não poderia acompanhá-la. Poderia não gostar de e-mail e celular e nunca falar com outras pessoas sem que ele supervisionasse o que ela diria. Poderia tentar fugir das formas mais ridículas, sem pensar se elas dariam certo ou não. Poderia. O problema é que, ao tentar encurralar Grace de todas as formas, somando todas essas possibilidades, a autora criou um contexto simplesmente inaceitável. Assim, é claro que suas chances de escapar são tão nulas quanto a lógica da trama.

Outra coisa que não me convenceu foi a maneira como Jack se tornou o tipo de homem que é e o que o motiva a ser desse jeito. Também não me convenceu ele abrir o jogo para Grace da maneira como faz, no momento em que faz.

Mas eu estaria mentindo se dissesse que o livro não me envolveu. A verdade é que mal vi as páginas passarem e realmente gostei da leitura. Meu problema é que foi tudo orquestrado demais, extremo demais, estereotipado demais. Grace, a vítima indefesa. Jack, o bicho-papão que está sempre um passo à frente. São personagens intensos pelo sofrimento que passam e que incutem, respectivamente. Mas estão longe de serem personagens profundos.

"Entre Quatro Paredes" foi uma boa leitura de uma história não tão boa assim.

Título: Entre Quatro Paredes
Autora: B.A. Paris
N de páginas: 265
Editora: Record
Exemplar cedido pela editora

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sábado, 7 de outubro de 2017

RESENHA: A Vida Que Enterramos

A Vida que Enterramos // Allen Eskens
Para quem não sabe, atuei por alguns anos na área da advocacia criminal e posso até mesmo dizer que fui parar nesse ramo, em parte, por causa dos livros policiais que eu lia. Porém, nos últimos anos comecei a evitar o gênero, pois já estava cansado de encontrar estórias rasas e que beiravam ao absurdo. Mas quando li a sinopse de A Vida Que Enterramos, logo percebi o potencial da estória e decidi que o livro merecia uma chance. 

Joe é um estudante universitário que precisa escrever uma biografia sobre uma pessoa de idade para a disciplina de inglês. Sem nenhum familiar a quem recorrer, Joe procura ajuda em um asilo, porém, não esperava que o único paciente que ainda estivesse em posse de suas faculdades mentais fosse um criminoso. Carl Iverson foi condenado pelo estupro e assassinato de uma jovem há trinta anos e conseguiu liberdade condicional apenas por ter sido diagnosticado com câncer. Com pouco tempo de vida, ele aceita participar do projeto, tornando Joe seu confessor. 

O primeiro aspecto que merece destaque é a fluidez da narrativa. Eskens apresenta um texto ágil, direto e envolvente, de modo que o leitor começa a devorar os capítulos e sequer cogita interromper a leitura. Para se ter uma ideia, a habilidade do autor é tanta que li cerca de duzentas páginas em apenas um dia e admito que sequer senti as páginas serem viradas. 

Eskens também soube desenvolver muito bem os personagens e trabalhar os diversos arcos da estória, que não se centrou apenas na estória que Carl tinha para contar, mas também na investigação que Joe empreendeu a fim de descobrir a verdade, nas conturbadas relações familiares do protagonista e em seu envolvimento com Lila, sua vizinha. Cada arco tem sua relevância para o desenvolvimento da estória e o mais interessante é reparar no impacto que causam umas às outras.

“Dos três homens na foto, somente Carl olhava para a câmera. Eu não sabia o que esperava ver em seu rosto. Como alguém mantém a calma e a sanidade depois de cometer um assassinato? A pessoa estufa o peito e anda de forma pomposa pelos destroços pretos como carvão do galpão onde carbonizou um cadáver?  Usa uma máscara de indiferença e passa pelas ruínas com o mesmo desinteresse de alguém que caminha até a loja da esquina para comprar um litro de leite? Ou surta de medo ao saber que foi pego, que deu seu último suspiro de liberdade e que vai passar o resto da vida em uma cela?” (ESKENS, 2017, p. 33).

A investigação que Joe e Lila fazem segue uma linha de raciocínio lógica e clara, sem contar com deduções improváveis. Aliás, registro aqui que o autor é advogado criminalista e seu conhecimento sobre como ocorrem os crimes no mundo real fica claro, pois a estória se mantém verossímil do início ao fim, sem contar com reviravoltas surreais. 

Outro ponto alto do livro é a estruturação da trama, que demonstrou o completo domínio do autor sobre a estória e os personagens. Além de amarrar com maestria todas as pontas da trama, o que mais me impressionou foi como o autor conseguiu transmitir a motivação de todos os personagens, mesmo para ações pequenas. 

O desfecho, apesar de não ter sido tão surpreendente quanto eu esperava, é repleto de ação e adrenalina. Nas últimas páginas, quando o mistério em si já está praticamente solucionado, o livro toma ares de thriller, de modo que ficamos completamente sem fôlego e tudo o que queremos é saber qual será o fim da estória. 

Com um mistério intrigante, uma narrativa envolvente e uma trama perfeitamente concatenada, A Vida Que Enterramos foi uma das melhores leituras policiais que fiz nos últimos tempos. Assim, mal posso esperar para conferir os próximos livros de Allen Eskens. 

Título: A Vida Que Enterramos
Autor: Allen Eskens
N.º de páginas: 270
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora

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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O que vem por aí - outubro

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Top Comentarista Outubro


No Top Comentarista de Outubro, o vencedor poderá escolher o livro que quer ganhar dentre as quatro opções: "Na Escuridão da Mente", "Inferno", "Serena" e "Alta Tensão".

Confira o regulamento:

1. Para participar, basta preencher o formulário abaixo, usando sua conta do Facebook ou seu e-mail. É obrigatório curtir a página do blog no Facebookcomentar em todas as postagens de outubro e ter um endereço de entrega no Brasil.

2. Para simplificar, optamos por utilizar o Rafflecopter. A primeira entrada confirma sua participação no Top Comentarista, enquanto as demais constituem chances extras, sendo opcionais. Atenção: depois de feito o sorteio será conferido se o sorteado comentou em todas as postagens do mês. Caso essa regra não seja cumprida, o mesmo será desclassificado, e um novo sorteio será realizado.

3. Para a entrada "Tweet about the Giveaway" ser válida, é obrigatório seguir o blog no twitter. 

4. Lembrando que somente serão válidos comentários significativos. Ou seja, comentários do gênero “interessante”, “legal” ou “ótima resenha” não serão computados. O participante poderá comentar apenas uma vez em cada post.

5. O sorteado poderá escolher o livro que deseja receber dentre as quatro opções disponíveis:
- Na Escuridão da Mente, de Paul Tremblay;
- Inferno, de Dan Brown;
- Serena, de Ron Rash;
- Alta Tensão, de Harlan Coben.

6. O resultado do Top Comentarista será divulgado no blog até o dia 05 de novembro.

7. O sorteado será contatado por email, tendo o prazo de 48h para fornecer seus dados e o blog se responsabiliza por confirmar o recebimento das informações. Decorrido o prazo sem manifestação do vencedor, novo sorteio será realizado.

8. O prêmio será enviado pelo blog no prazo de trinta dias úteis.

9. A Equipe do Além da Contracapa se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.

a Rafflecopter giveaway

sábado, 30 de setembro de 2017

Quem vem para o jantar? # 30

"Quem vem para o jantar?" é a coluna do Além da Contracapa em que um jantar fictício se torna a ocasião em que personagens e autores interagem em encontros inusitados. 

Para o aniversário desse ano, tínhamos o desafio de preparar uma festa que estivesse à altura das que fizemos nos anos anteriores. Logo percebemos que só havia um jeito de nos superarmos: ao invés de uma festa tradicional faríamos um tour por diversos cenários. Felizmente, tivemos ajuda de alguns amigos porque organizar recepções para nossos convidados em vários lugares não foi tão fácil como imaginamos. Quem sugeriu um ponto de partida para nosso tour foi Michael Crichton: 

— Que tal o Jurassic Park? — perguntou ele e, vendo nossa hesitação, logo acrescentou: — Fiquem tranquilos, os incidentes que aconteceram lá fazem parte do passado. O local está mais seguro do nunca.

Apesar de não estarmos completamente confiantes, imaginamos que nossos convidados iriam adorar a atração e aceitamos a oferta de Crichton. Assim, enviamos os convites, mas resolvemos não informar que aquela não seria uma festa tradicional, pois queríamos surpreender a todos. 

Chegamos a Isla Nublar com antecedência para conhecer o Jurassic Park e fomos recepcionados pelo professor Grant.

— Michael pediu que eu os acompanhasse durante todo o percurso para garantir que vocês estariam em boas mãos — disse ele sorrindo.

Aliviados com a presença do professor, retornamos para o portão de entrada no horário combinado e aguardamos pela chegada do helicóptero. Assim que pousou, o primeiro a desembarcar foi Auggie, acompanhado de Scout e Cosette, os quais vieram correndo nos abraçar. Alvo Severo também desceu depressa e logo percebemos que ele não tinha se adaptado ao meio de transporte dos trouxas. Logo depois vieram Abilene Tucker e Jake Chambers — os quais nos entregaram os novos livros de seus pais como presente de aniversário — seguidos por Prim Everdeen, Rhoda Peenmark e Sarah Nelson

Depois de todos terem desembarcado, explicamos que faríamos um tour pelo parque e as crianças correram em disparada para entrar na van e sentar na janela, afinal, o parque era lindo e havia muita coisa para ser vista. Assim que nos sentamos, a van começou a se mover, sendo guiada automaticamente. Então, o sistema de som fez um pequeno barulho e ouvimos a voz amplificada de Grant.

— Bom dia, pessoal. Estão preparados para o passeio de hoje?
— SIMMMM — gritaram as crianças em uníssono.
— Ótimo. Para começar, vocês podem olhar para a minha esquerda, onde podemos ver um bando de Velociraptors. Os ancestrais deles tinham penas e voavam.

Todos nós viramos e imediatamente ouvimos os “ohhh” e “ahhh” que as crianças emitiam, fascinadas por contemplarem um animal daqueles tão de perto. Durante o tempo em que estivemos na van, as exclamações continuaram. As crianças nem conseguiam ficar sentadas. Algumas estavam em pé em cima dos bancos, outras com os rostinhos colados às janelas.

— E agora —  anunciou Grant — o dinossauro que todos vocês estavam esperando. Sejam bem vindos à casa do Tiranossauro Rex!

E como se Grant tivesse ensaiado o roteiro com o animal, ouvimos o rugido gutural do dinossauro assim que ele pronunciou seu nome. As crianças se apinharam nas janelas, para conseguir uma visão melhor daquela criatura monstruosa.

— Esta é a nossa primeira parada! Podem descer — falou ele e as crianças desembarcaram animadas. 
— Temos uma surpresinha para vocês: nesse ano iremos levá-los para mais três lugares — anunciamos, e as crianças vibraram de empolgação. — Nosso piquenique está programado para acontecer em quinze minutos.
— Onde? Onde? — elas perguntaram ansiosas. 
— Em Santa Fé — revelamos. — E para chegar lá temos que encontrar uma chave de portal, que deve estar escondida por aqui. 
— Uma chave o quê? — perguntou Auggie confuso. 
— Uma chave de portal. É um objeto qualquer, pode até parecer lixo, mas que está encantada para nos transportar para o Sobrado dos Terra Cambará. E agora temos catorze minutos para encontrá-la. 

Nos separamos e começamos a vasculhar a área em busca da chave que Arthur Wesley tinha nos emprestado. Foi Cosette quem encontrou uma bota velha e logo reconhecemos o artefato. Mas no mesmo instante ouvimos um grito agudo de animação vindo em nossa direção. 

— Achei! Achei a chave!

Era Abilene, que segurava um objeto redondo em suas mãos. Olhamos um para o outro, sem saber o que era aquilo e foi só quando ela chegou mais perto que reconhecemos. Nosso estômago congelou. 

Um ovo. 

Sentimos o chão começar a tremer e ouvimos o rugido ainda mais alto de um animal desesperado. 

— Largue o ovo! Largue o ovo! — falamos, mas era tarde demais. O Tiranossauro Rex já tinha nos visto e corria ensandecido em nossa direção. 

Olhamos para o relógio e constatamos que faltava apenas um minuto para a chave de portal ser ativada. 

— Venham — gritamos. — Todo mundo precisa tocar na chave.  

Todos se reuniram a nossa volta enquanto Abilene chegava afobada. O dinossauro continuava a rugir e correr em nossa direção, mas então sentimos um forte puxão, como se fosse um anzol no umbigo. Tivemos a sensação de cair no vazio e girar, até que atingimos o chão com um baque surdo.

— Sejam bem-vindos a Santa Fé — disse Maria Valéria logo em seguida, sem conseguir conter o sorriso de nos ver todos estatelados no chão. — Venham logo que o piquenique já está pronto. 

Ela nos conduziu ao fundo do quintal do Sobrado e lá havia um lençol estendido a sombra de uma árvore, onde encontramos diversos quitutes, doces e sucos gelados. As crianças correram e começaram a se servir afoitas, fazendo Maria Valéria rir com gosto. Quando todos pareciam satisfeitos, perguntamos:

— Prontos para a próxima parada? 
— SIM!!!!
— Mas antes disso, nós queremos saber qual livro é seu melhor amigo. Só assim levaremos vocês a um passeio inesquecível.
— Eu começo! Eu começo! —  disse Scout. — Para mim foram os livros da série Vaga-Lume. 
— Os meus foram Os Contos de Beedle, o Bardo —  falou Alvo
— Os meus foram as aventuras do seu pai, Alvo. Ele é o melhor — disse Prim.
— Atticus Finch é o melhor — confessou Sarah, olhando encabulada para Scout, que sorriu orgulhosa.

Encerrada a discussão, finalmente revelamos o próximo destino:

— Nós iremos encontrar Daniel Sempere em Barcelona e visitar o Cemitério dos Livros Esquecidos — falamos com empolgação, fazendo as crianças exclamarem de alegria. 

Imediatamente começamos a procurar uma chave de portal e dessa vez foi Auggie quem encontrou uma lata velha. Nos reunimos ao redor do objeto, aguardamos alguns instantes e sentimos o já familiar puxão no umbigo. 

— Sejam bem-vindos ao Cemitério dos Livros Esquecidos — nos saudou Daniel. 
— UAU!  disseram as crianças. 

Nada havia nos preparado para testemunhar o brilho naqueles olhinhos ao estar diante de um lugar tão maravilhoso. Até mesmo Alvo Severo, acostumado a lidar com magia, percebeu que o lugar onde estávamos tinha uma magia própria. Não tinha a ver com feitiços, mas era mágico mesmo assim. 

— Foi meu pai quem me trouxe aqui quando eu completei 11 anos, então, vocês não precisam ter medo. O lugar é um tanto labiríntico, mas vocês não irão se perder. Só nos seus corações.
— Como assim? — perguntou Scout, receosa.
— Acredite em mim. Algum livro, dentre todos esses milhares de exemplares empoeirados, vai ganhar o coração de vocês para sempre e vocês irão se perder em suas páginas e seus encantos.

Sorrimos para Daniel, reconhecendo nele os vestígios daquele menino que pisou ali pela primeira vez tão jovem. Quando as crianças voltaram, cada uma trazia um livro na mão.

— Podemos levar? Depois a gente devolve — perguntou Jake
— Podem levar sim e não precisam se preocupar. Tudo o que vocês precisam me prometer é que vão tratar esses livros como eles merecem. Então, todos prometem? — perguntou Daniel, ao que todos responderam com um retumbante SIM.
— Já está anoitecendo, crianças. Precisamos ir para chegar a tempo no próximo destino — anunciamos.
— Mas já? — retrucou Abilene — Não queremos ir ainda.
— Vocês tem certeza? Porque nós estamos com fome dos itens da Dedosdemel. Quem nos acompanha?
— Mas nós não temos dinheiro — falaram elas decepcionadas.
— Tem certeza? Por que vocês não dão uma sacudida nos livros de vocês?

Todos eles começaram a balançar os livros e moedas de ouro caíram no chão, deixando as crianças impressionadas.

— Como vocês fizeram isso? — quis saber Alvo.
— Hermione nos ensinou um truque —  respondemos sorrindo. — E então? Ainda querem esperar?
— Não! Queremos ir agora.
— Então se despeçam do Daniel, por que temos uma última chave para procurar.
— Chave coisa nenhuma — disse Hagrid, de repente irrompendo no Cemitério dos Livros Esquecidos. — Vamos lá para fora que tenho uma última surpresa para vocês.

Quando chegamos lá, vimos selas que flutuavam no ar e logo entendemos a surpresa que Hagrid havia preparado. Trocamos um olhar preocupado, pensando no problema que ele teria com o Ministério da Magia. Mas ele, ao perceber nossa preocupação, apenas balançou a mão, como se aquilo não fosse nada sério. Como não havia o que fazer, restou-nos torcer para que desse tudo certo.

— Venham, crianças. Montem aqui — orientou Hagrid.
— Aqui onde? Não tem nada aqui — disse Cosette.
— Tem sim — retrucou Rhoda. — Você não está vendo esse animal embaixo da sela?
— Esses são testrálios — explicou Hagrid. — Criaturas mágicas usadas para viagens de longa distância. Elas são muito eficientes.
— Mas eu não estou enxergando nada — disse Sarah,
— Vocês não enxergam porque nunca tiveram....
— Hagrid — interrompemos — tem coisas que as crianças não precisam saber hoje, você não acha?
— É verdade. É verdade. Desculpa. E então, prontos?
— PRONTOS!

Um a um eles se aproximaram de Hagrid esperando ajuda para montar nos seus testrálios. Nós nunca vamos esquecer aquela imagem: as crianças que pareciam flutuar no ar, mas que se balançavam de acordo com o movimento das criaturas mágicas.

No final, nós também montamos e seguimos para o último destino da nossa festa. A expressão no rosto das crianças quando os animais deram o impulso para voar nos fez ter a certeza de que todo o planejamento tinha valido a pena. Estávamos exaustos e mal podíamos esperar para encerrar o dia no Três Vassouras, mas sentindo o vento nos nossos rostos e ao som dos gritinhos empolgados das crianças, tínhamos a convicção de que elas jamais esqueceriam aquele dia. Nem nós.

 

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