sexta-feira, 7 de abril de 2017

RESENHA: Tudo o que nunca contei

“— [...]. As pessoas formam uma opinião antes de conhecerem você. — Olhou para ele, subitamente ousada. — Mais ou menos como você fez comigo. Elas acham que sabem tudo a seu respeito. Só que você nunca é o que elas pensam.” (NG, 2017, p. 196)

***

Na primavera de 1977, o corpo da jovem Lydia Lee é encontrado no lago da cidade. O que teria acontecido com a promissora estudante e filha exemplar? Suicídio? Acidente? Assassinato? Enquanto a polícia investiga o caso, todos os membros da família percebem que não conheciam Lydia e os segredos de sua vida começam a vir à tona. 

Para construir a trama de Tudo o que nunca contei, Celeste Ng explorou ao máximo a ideia de que toda ação tem uma consequência. Assim, percebemos que a morte de Lydia é apenas o resultado de uma série de acontecimentos, como acontece com dominós enfileirados que vem a baixo após a queda da primeira peça. 

Para mostrar essa reação em cadeia, a autora não segue uma linha do tempo. A narrativa é composta por um verdadeiro quebra-cabeça, mostrando episódios do presente e do passado e seguindo diversos pontos de vista. Assim, o leitor entende como o casal Lee se conheceu e as circunstâncias em que se casaram, como teve início a vida familiar e, sobretudo, qual era a dinâmica entre os membros da família. 

É importante salientar que Tudo o que nunca contei não é um livro policial, apesar da premissa poder dar a impressão que a investigação da morte de Lydia seja uma parte crucial da trama. A obra é acima de tudo um drama que explora as relações familiares e mostra como as melhores intenções podem ter os efeitos mais devastadores. 

Apesar da morte de Lydia ser o ponto de partida e ela ser uma personagem fundamental para o desenvolvimento da estória, eu não a consideraria a protagonista. A verdade é que toda a família Lee protagoniza a obra, pois acompanhamos os dramas de todos de forma paralela e não se pode dizer que um deles tenha enfoque maior que o outro. 

Entretanto, essa ausência de um protagonista teve seu preço. Ao optar por não definir um personagem principal, creio que o leitor não consegue desenvolver uma ligação mais profunda com a estória, a qual perde parte de seu impacto. Outro fator que me desagradou foi o texto de Celeste Ng, visto que ela não obedece a regra que considero a mais importante da literatura: “show, don’t tell” (mostre, não diga). Ou seja, a maior parte da narrativa consiste na mera descrição dos acontecimentos e não nos acontecimentos em si, o que tornou a leitura um pouco cansativa. 

Apesar destes detalhes, é preciso reconhecer que a estória de Tudo o que nunca contei é absolutamente genial. Com personagens bem construídos, Celeste Ng cria uma trama de ilusões e desilusões, abordando temas como identidade, raça, relações familiares e a busca pelo sucesso. O resultado foi uma estória emocionante e cheia de reflexões. 

Título: Tudo o que nunca contei
Autora: Celeste Ng
N.º de páginas: 301
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora

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17 comentários:

Marília Leocádio disse...

A história me pareceu muito envolvente com a mistura de mistério, assassinato e muitos segredos ano quando a história junta todos esses itens para prender o leitor.
Abraços!!

Jônatas Amaral disse...

Gosto muito de livros desse tipo, que têm como pano de fundo algo violento, mas que expõe temas familiares complexos. Acho que reflete muito da nossa sociedade algumas vezes.
Você define o livro como Genial, e por conta disso fiquei com vontade de ler o livro.

Jônatas Amaral
alma-critica.blogspot.com.br

Gabriela CZ disse...

Essa premissa da garota encontrada morta da qual se descobrem segredos me atraiu por me lembrar de Twin Peaks, Alê. Confesso. E pelo visto a autora conseguiu criar uma trama bem instigante, apesar dos personagens pouco envolventes. Acho que leria. Ótima resenha.

Beijos!

O Que Tem Na Nossa Estante disse...

Oi Alê! Eu achei que fosse um suspense, não sabia que tinha essa pegada de drama. O fato de não ter um protagonista pode ser complicado mesmo, mas um tanto diferente. De qualquer forma parece mesmo ter um excelente enredo.

Bjs, Mi

O que tem na nossa estante

RUDYNALVA disse...

Alê!
Quando um livro aborda os dramas familiares e seus afluentes, já é interessante, porque de alguma forma acabamos nos identificando com o enredo, mesmo que aqui no caso, não consigamos nos identificar com as personagens.
Gosto de livros descritivos, mas se é como falou que descreve os acontecimentos, porém não nos acontecimentos, fiquei um tanto receosa.
Desejo um ótimo final de semana!
“ O amor é a sabedoria dos loucos e a loucura dos sábios.” (Samuel Johnson)
cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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Vanessa Vieira disse...

Gostei da resenha Alê. A trama do livro me pareceu bastante atrativa apesar da autora focar mais na descrição do que nos acontecimentos em si. Abraço!

www.newsnessa.com

Click Literário disse...

Oi! Esse livro me lembrou muito reconstruindo Amélia. Onde a mãe só vai conhecer realmente a filha quando ela é encontrada morta, sob suspeita de suicídio. Apesar da leitura parecer cansativa, eu gostaria de saber o desfecho. Bjos ❤
Click Literário

Luiza Helena Vieira disse...

Oi, Alê!
Eu já tinha até desistido desse livro ser lançado aqui. O bom é que fiquei do que realmente se trata a história. Eu tinha outra ideia hahahha
Beijos
Balaio de Babados
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Alessandra Salvia disse...

Oi Alê,
Estou começando a me aventurar nesse gênero literário, porque realmente é algo inteligente e interessante.
Não conhecia a obra, mas fiquei ansiosa para ler.
Obrigada pela dica.
Beijo
http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

Kéziah Raiol disse...

Oie Alexandre, tudo bom?
Eu já tinha ouvido/visto falar muito desse livro. Mas, nunca tive tanta vontade assim de ler. Você me ganhou na ultima frase quando falou que era genial. Todo livro que possa ser caracterizado como genial merece ser lido. Já vou adicionar a lista.

Beijos,
Paixão Literária

Franciele de Santana disse...

Todos nós temos nossos segredos e muitas vezes pagamos o preço do silêncio, livros que envolvem relações familiares sempre me chamam atenção porque eles sempre nos trazem reflexões. Gostaria de conferir a história, acho que ainda não li um livro que não tenha tido um personagem principal, gosto do fato de ter várias percepções para um mesmo acontecimento, nos trazendo outras considerações, me pareceu muito interessante apesar dos contras indicados principalmente da descrição e não relato dos fatos.

Nessa disse...

Oie Alê
A trama parece ser bem curiosa, um mistério que prende o leitor até o fim do livro, gosto de livros assim. Gostei do enredo e fiquei com vontade de ler.

Beijinhos
http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

Sil disse...

Olá, Alê.
Num primeiro momento achei que fosse uma trama policial, o que adoro. Mas também gosto desse estilo. Acho interessante quando não temos apenas um protagonista na história, mas sim uma família inteira. É um livro que vou anotar aqui para uma futura leitura.

Prefácio

Marta Izabel disse...

Oi, Alê!!
Adorei conhecer essa estória!! Fiquei o tempo todo me perguntando o que poderia ter acontecido para Lyndia e o que ela vez para morrer?! Gosto muito de livros de suspense e esse parece ser ótimo.
Beijoss

Carolina Garcia disse...

Oi, Alê!!!

Gostei muito da resenha. O livro parece ser bem interessante e estou curiosa para descobrir como foi que a garota morreu e apareceu no lago! Hahaha
Vou adicionar na lista. ;)

Bjs!

http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

Adriana Holanda Tavares disse...

O título por si só já chama a minha atenção, e com um fundo de trama policial me deixa muito mais ansiosa por fazer a leitura deste livro, a única coisa que não gostei foi a capa, achei que poderia ter caprichado um pouco mais!

Ana I. J. Mercury disse...

Parece ser um livro complexo, porém, bem reflexivo.
Ainda mais puxando pra temas como dramas familiares e identidade.
Vou anotar aqui e procura-lo para ler em breve!
bjs

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